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Breve
revisão Bacteriúria Assintomática
Marion P. Rocha e Leonardo O. Gonçalves*
Um editorial do periódico The New England
Journal of Medicine (outubro, 2000) relatava que,
desde a introdução das uroculturas quantitativas
na metade da década de 1950, estudos demonstraram
consistentemente que 1 a 2% das garotas escolares
e cerca de 5% das mulheres jovens sexualmente ativas
têm uroculturas positivas, mas não apresentam
sintomas de infecção do trato urinário.
A bacteriúria assintomática é
definida como a presença de mais de 100.000
UFC por ml de urina de pessoas sem sintomas de infecção
do trato urinário. A maior população
de pacientes com risco de bacteriúria assintomática
é a dos idosos. Até 40% dos homens e
mulheres idosos podem ter bacteriúria sem sintomas.
Embora estudos iniciais observassem uma associação
entre bacteriúria e aumento da mortalidade,
estudos mais recentes têm fracassado em demonstrar
tal ligação.
Três grupos de pacientes com bacteriúria
assintomática demonstraram beneficiar-se do
tratamento: (1) mulheres grávidas, (2) pacientes
com transplantes renais e (3) pacientes que estejam
em vias de passar por procedimentos do trato geniturinário.
Entre 2% e 10% das gestações são
complicadas por infecção do trato urinário;
se deixadas sem tratamento, 25% a 30% das mulheres
com tal infecção desenvolvem pielonefrite.
As gestações complicadas por pielonefrite
associam-se a crianças com baixo peso ao nascimento
e prematuridade. Dessa forma, as mulheres grávidas
devem ser triadas para bacteriúria por urocultura
com 12 a 16 semanas de gestação. A presença
de 100.000 UFC de bactérias por ml de urina
é considerada significativa.
Não existe urgência para iniciar o
tratamento de uma bacteriúria assintomática.
Terapia deverá ser adiada até que duas
culturas tenham sido realizadas para confirmação
de bacteriúria.
As mulheres grávidas com bacteriúria
assintomática devem ser tratadas por um período
de três a sete dias de antibióticos,
e a urina deve ser subseqüentemente cultivada
para se ter certeza da cura e evitar recidivas. Embora
a amoxicilina seja freqüentemente sugerida como
agente de escolha, a E. coli agora é comumente
resistente a ampicilina, amoxicilina e cefalexina.
Dessa forma, o tratamento deve basear-se nos resultados
do antibiograma. Pode ser usada nitrofurantoína
ou trimetoprima-sulfametoxazol; entretanto, deve-se
ter cautela no terceiro trimestre porque as sulfamidas
competem com ligação da bilirrubina
no recém-nascido.
As infecções do trato urinário
sintomáticas complicam 1%
a 2% das gestações, geralmente em mulheres
com bacteriúria persistente. A maioria das
mulheres grávidas com pielonefrite deve ser
internada. Inicialmente, estas pacientes devem receber
antibioticoterapia intravenosa. Devem completar um
período de 14 dias de antibioticoterapia aguda,
seguido por terapia supressiva noturna até
o parto. Estudos recentes têm mostrado que mulheres
grávidas selecionadas com pielonefrite podem
ser tratadas com ceftriaxona, administrada pela via
intramuscular ou cefalexina oral sem internar a paciente.
A ceftriaxona, cefalosporina de terceira geração
administrada por via parenteral, é o agente
adequado para o tratamento de pacientes internadas.
As tetraciclinas e as fluoroquinolonas devem ser evitadas
na gravidez.
Bibliografia Consultada:
NICOLLE LE. Assimptomatic Bacteriuria - Important
or Not? N Engl J Med, 2000;
343:1037-9
MANDELL D. Principles and Practice of Infections Diseases.
Fourth edition-1995.
ORENSTEIN R & WONG ES. UroNews, maio-2000.
VILLAR J, LYDON-ROCHELLE MT, GULMEZOGLU AM. Duration
of
Treatment for asymptomatic bacteriuria during pregnancy
(Cochrane Review), In: The Cochrane Library, Issue
3,1999.
*Bioquímicos do Laboratório ENZILAB
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